O sexo é o tema do momento nos telejornais.
Primeiro tivemos a notícia da shô doutora professora, afirmando que todos os seus alunos de 12 anos já não eram virgens e que possivelmente trocavam favores sexuais por bollycaos à hora do recreio.
Depois passou a falar-se da distribuição livre de preservativos nas escolas.
Mas querem dar cabo de tudo?
E a nossa tradição da gravidez adolescente? As tradições são para serem celebradas, não compreendidas!
Qualquer dia os Bastinhas recusam-se a torturar touros ali no Campo Pequeno alegando que se trata de crueldade.
Ou então, vão-me dizer que o galo de Barcelos não voltou mesmo à vida - o que se vai fazer a tanta figura e panos de cozinha por tantas lojas de souvenirs por este Portugal?
Pior, vão dizer que afinal na Cova da Iria o sol não bailou - os putos é que andaram de volta das papoilas...
Está tudo perdido! Já não há valores...
Para onde vais Portugal?
terça-feira, 26 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Algém me explique
...como é que isto

...é um sex symbol
Se visse esta pessoa na rua, primeiro dizia-lhe para ir ao médico porque provavelmente a pazada que tinha levado na cana do nariz tinha deixado sequelas.
Depois fugia, porque sei que traz um picador de gelo dentro do bolso do casaco. Aquele olhar não engana.
"Ah, ele é fascinante..."
Primeiro que tudo É A PORRA DE UMA PERSONAGEM!
Não sei quanto às pitas malucas que por aí andam, manter uma relação com um vampiro não é a minha ideia de diversão.
E se quisesse ir dar uma volta num domingo à tarde? É o vais, não é?
Tenham mas é juízo!

...é um sex symbol
Se visse esta pessoa na rua, primeiro dizia-lhe para ir ao médico porque provavelmente a pazada que tinha levado na cana do nariz tinha deixado sequelas.
Depois fugia, porque sei que traz um picador de gelo dentro do bolso do casaco. Aquele olhar não engana.
"Ah, ele é fascinante..."
Primeiro que tudo É A PORRA DE UMA PERSONAGEM!
Não sei quanto às pitas malucas que por aí andam, manter uma relação com um vampiro não é a minha ideia de diversão.
E se quisesse ir dar uma volta num domingo à tarde? É o vais, não é?
Tenham mas é juízo!
segunda-feira, 18 de maio de 2009
The beautiful people
Costumava ficar em choque sempre que via fotos da minha família.
Ao rever essas imagens dava por mim a pensar: "Como é possível eu alguma vez ter saído à rua assim?".
Quantos de nós não vestiram aqueles míticos fatos de treino coloridos e de um material extremamente brilhante como aqueles ali abaixo?
Depois descobri este sítio awkwardfamilyphotos.com e todas as minhas concepções sobre a vida, a morte e pastéis de bacalhau foram abaladas.
E pela vossa alminha, não deixem de ver nenhuma.


Ao rever essas imagens dava por mim a pensar: "Como é possível eu alguma vez ter saído à rua assim?".
Quantos de nós não vestiram aqueles míticos fatos de treino coloridos e de um material extremamente brilhante como aqueles ali abaixo?
Depois descobri este sítio awkwardfamilyphotos.com e todas as minhas concepções sobre a vida, a morte e pastéis de bacalhau foram abaladas.
E pela vossa alminha, não deixem de ver nenhuma.


quarta-feira, 13 de maio de 2009
Águinha del cano
Não sei se repararam que a secção de águas dos supermercados continua a crescer de forma descontrolada.
Recordo-me que nos meus tempos de infância exista água do Luso sem gás e pedras para o caso de nesse dia se ter enfardado uma dobrada carregada de picante.
Chamem-me old school - não vos vou responder, porque não é o meu nome - mas acho que já é um bocadinho de mais.
Águas com sabores, águas para emagrecer, águas em frascos de vidro com diamantes...
Costumava sarcasticamente dizer que só faltava venderem água da torneira.
Porque acho que a minha expressão de sarcasmo me dá um ar muito blasé e também porque gosto de elevar a sobrancelha. O elevar de sobrancelha pode também, quando conjugado com o dilatar de narinas, servir para demonstrar extremo desagrado em relação a alguma situação - sou um mimo no que toca a expressões faciais, e também de bikini, mas isso agora não interessa...
Então não é que no outro dia me encontrava calmamente a ler uma revista mais ou menos pseudo e lá pelo meio de páginas com modelos em posições de parco equilíbrio, com ar de muita fominha e olhar no infinito, vi a reportagem?
Há uma empresa de New York (não, não estou a ser snob, acho mal mudar o nome dos sítios, da mesma forma que não gosto de ouvir dizer Oporto ou Lissabon) que vende precisamente água da torneira!

Não é nada que o pessoal que vende garrafas de água à saída dos jogos de futebol não se tenha lembrado, mas não fazem é publicidade disso.
Já estes fazem publicidade disso e o mais incrível é que vendem como pãezinhos quentes.
É água da torneira!
Eles só a engarrafam!
Falem-me do Bob Proctor e o seu esquema genial para enriquecer sem fazer grande coisa.
Estes nem precisam de enganar ninguém...
Recordo-me que nos meus tempos de infância exista água do Luso sem gás e pedras para o caso de nesse dia se ter enfardado uma dobrada carregada de picante.
Chamem-me old school - não vos vou responder, porque não é o meu nome - mas acho que já é um bocadinho de mais.
Águas com sabores, águas para emagrecer, águas em frascos de vidro com diamantes...
Costumava sarcasticamente dizer que só faltava venderem água da torneira.
Porque acho que a minha expressão de sarcasmo me dá um ar muito blasé e também porque gosto de elevar a sobrancelha. O elevar de sobrancelha pode também, quando conjugado com o dilatar de narinas, servir para demonstrar extremo desagrado em relação a alguma situação - sou um mimo no que toca a expressões faciais, e também de bikini, mas isso agora não interessa...
Então não é que no outro dia me encontrava calmamente a ler uma revista mais ou menos pseudo e lá pelo meio de páginas com modelos em posições de parco equilíbrio, com ar de muita fominha e olhar no infinito, vi a reportagem?
Há uma empresa de New York (não, não estou a ser snob, acho mal mudar o nome dos sítios, da mesma forma que não gosto de ouvir dizer Oporto ou Lissabon) que vende precisamente água da torneira!

Não é nada que o pessoal que vende garrafas de água à saída dos jogos de futebol não se tenha lembrado, mas não fazem é publicidade disso.
Já estes fazem publicidade disso e o mais incrível é que vendem como pãezinhos quentes.
É água da torneira!
Eles só a engarrafam!
Falem-me do Bob Proctor e o seu esquema genial para enriquecer sem fazer grande coisa.
Estes nem precisam de enganar ninguém...
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Ajoelhou...
Essa coisa da peregrinação é muito bonita.
Fortalece os laços de amizade, enquanto se untam pés ensanguentados.
Depois, o ritual do acender das velas em forma de partes do corpo humano em tamanho real, o enceranço da calçada com os joelhos...
Por esta altura, milhares de crentes dirigem-se ao santuário e consta que quanto maior o sacrifício, maior o milagre que se pode pedir.
Não acho justo!
Então e o pessoal que mora lá? Tem de fazer um detour pelo Bom Jesus e voltar? É que se virem bem ainda é complicadito atravessar aquelas estadas de gravilha de joelhos, ainda por cima nesta altura do ano. Sim, que eu bem sei. Muito boa gente vai para lá de cu tremido e depois de estacionar a viatura, atiram-se de joelhos ao chão. Pessoal, "Eles" estão em todo o lado. Não vale tentar fazer batota.
E sabem que no santuário se vendem joelheiras?
É para que o andar de rojo não seja tão incómodo, vejam só...
Qualquer dia querem que se monte uma esplanada ao pé do altar, é que ainda se apanha um solzito valente por aqueles lados.
Era a junção perfeita: produção de vitamina D e a celebração da fé.
Tenho mesmo que começar a registar estas patentes!
Fortalece os laços de amizade, enquanto se untam pés ensanguentados.
Depois, o ritual do acender das velas em forma de partes do corpo humano em tamanho real, o enceranço da calçada com os joelhos...
Por esta altura, milhares de crentes dirigem-se ao santuário e consta que quanto maior o sacrifício, maior o milagre que se pode pedir.
Não acho justo!
Então e o pessoal que mora lá? Tem de fazer um detour pelo Bom Jesus e voltar? É que se virem bem ainda é complicadito atravessar aquelas estadas de gravilha de joelhos, ainda por cima nesta altura do ano. Sim, que eu bem sei. Muito boa gente vai para lá de cu tremido e depois de estacionar a viatura, atiram-se de joelhos ao chão. Pessoal, "Eles" estão em todo o lado. Não vale tentar fazer batota.
E sabem que no santuário se vendem joelheiras?
É para que o andar de rojo não seja tão incómodo, vejam só...
Qualquer dia querem que se monte uma esplanada ao pé do altar, é que ainda se apanha um solzito valente por aqueles lados.
Era a junção perfeita: produção de vitamina D e a celebração da fé.
Tenho mesmo que começar a registar estas patentes!
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Tranque lá a porta oh fáxavor!
Tenho uma bexiga pequena.
Mínima, mesmo.
Consigo ir antes de sair de casa e 15 minutos depois já estar à rasca outra vez.
O meu respectivo diz que o som que ouve vir da casa de banho se assemelha a uma chuva torrencial de aproximadamente 5 segundos. E não, não tenho bexiga envergonhada.
Neste aspecto estou preparada para sobreviver nas condições mais adversas. Agradeço à minha melhor amiga.
Toda a família dela, toma o acto de ir à casa de banho como outra qualquer banalidade.
Embora me considerem de família, sei que ainda não sou um deles porque se coíbem de entrar na casa de banho se lá estiver. Não peço que o façam, mas cá dentro dói saber que após todos estes anos (22), ainda não sou inteiramente aceite.
Tendo em conta a minha condição, sou frequentadora assídua de casas de banho - não há sítio onde vá que não conheça pelo menos uma.
Regra geral estas visitas decorrem sem incidentes de maior, mas aqui no meu novo local de trabalho, o acto de fechar a porta do compartimento parece não constar na lista de coisas a fazer - logo a seguir ao entrar a imediatamente antes de forrar todos os milímetros da tampa da sanita com pequenas tiras de papel higiénico.
Já é a terceira vez que abro a porta e está uma senhora sentada no trono, com olhar no infinito e que consegue apenas soltar um gritinho de surpresa na minha direcção. Peço desculpa e daí por diante, cada vez que nos cruzamos na copa, um ambiente de consternação abate-se sobre nós - até ao fim dos dias.
Ainda me lembro a primeira vez que uma situação destas me aconteceu.
Passou-se em casa de uma colega minha da faculdade. Essa casa era dividida com mais 5 pessoas. Uma delas era realmente estranha e tirando o facto de lhe chamarem Fatuxa, desconfiava tratar-se de um homem.
Não ligava muito à higiene pessoal, era comum termos de deitar comida germinada fora de dentro dos tachos que deixava no frigorífico comum, usava roupa que deixava as suas formas indefinidas entre o americano médio ou a basquetebolista gorda e praticamente não dormia em casa.
Um belo dia, sem que nada o fizesse antever, numa manhã de ressaca, abri a porta da casa de banho com um pequeno toque. A porta abriu-se lentamente, deixando ver do outro lado a Fatuxa, de calças de fato de treino em baixo (ela usava boxers), lendo uma revista sobre relógios de cuco (don't ask) e mostrando a alva brancura das suas coxas...
Ainda hoje, esta imagem me assombra. E às minhas colegas, que tiveram de me ir buscar à porta onde me mantinha estática.
Nesse dia, confirmamos que a Fatuxa era uma mulher, porque não se incomodou com o incidente e continuou na sua vidinha.
E é desta forma enternecida que a recordamos ainda hoje...
Mínima, mesmo.
Consigo ir antes de sair de casa e 15 minutos depois já estar à rasca outra vez.
O meu respectivo diz que o som que ouve vir da casa de banho se assemelha a uma chuva torrencial de aproximadamente 5 segundos. E não, não tenho bexiga envergonhada.
Neste aspecto estou preparada para sobreviver nas condições mais adversas. Agradeço à minha melhor amiga.
Toda a família dela, toma o acto de ir à casa de banho como outra qualquer banalidade.
Embora me considerem de família, sei que ainda não sou um deles porque se coíbem de entrar na casa de banho se lá estiver. Não peço que o façam, mas cá dentro dói saber que após todos estes anos (22), ainda não sou inteiramente aceite.
Tendo em conta a minha condição, sou frequentadora assídua de casas de banho - não há sítio onde vá que não conheça pelo menos uma.
Regra geral estas visitas decorrem sem incidentes de maior, mas aqui no meu novo local de trabalho, o acto de fechar a porta do compartimento parece não constar na lista de coisas a fazer - logo a seguir ao entrar a imediatamente antes de forrar todos os milímetros da tampa da sanita com pequenas tiras de papel higiénico.
Já é a terceira vez que abro a porta e está uma senhora sentada no trono, com olhar no infinito e que consegue apenas soltar um gritinho de surpresa na minha direcção. Peço desculpa e daí por diante, cada vez que nos cruzamos na copa, um ambiente de consternação abate-se sobre nós - até ao fim dos dias.
Ainda me lembro a primeira vez que uma situação destas me aconteceu.
Passou-se em casa de uma colega minha da faculdade. Essa casa era dividida com mais 5 pessoas. Uma delas era realmente estranha e tirando o facto de lhe chamarem Fatuxa, desconfiava tratar-se de um homem.
Não ligava muito à higiene pessoal, era comum termos de deitar comida germinada fora de dentro dos tachos que deixava no frigorífico comum, usava roupa que deixava as suas formas indefinidas entre o americano médio ou a basquetebolista gorda e praticamente não dormia em casa.
Um belo dia, sem que nada o fizesse antever, numa manhã de ressaca, abri a porta da casa de banho com um pequeno toque. A porta abriu-se lentamente, deixando ver do outro lado a Fatuxa, de calças de fato de treino em baixo (ela usava boxers), lendo uma revista sobre relógios de cuco (don't ask) e mostrando a alva brancura das suas coxas...
Ainda hoje, esta imagem me assombra. E às minhas colegas, que tiveram de me ir buscar à porta onde me mantinha estática.
Nesse dia, confirmamos que a Fatuxa era uma mulher, porque não se incomodou com o incidente e continuou na sua vidinha.
E é desta forma enternecida que a recordamos ainda hoje...
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Os bichos
Ainda na minha senda de adquirir a selecção de animais referidos num dos posts abaixo, este fim de semana fui ao jardim Zoológico.
Já não ai lá desde pequena.
Lembro-me vagamente de ser carnaval e estar mascarada de saloia, ou lavadeira, ou padeira, ou uma eira qualquer. Porque a minha mãe tinha a mania de todos os anos me alugar uma farpela diferente, mas que era estranhamente semelhante à do ano passado.
Desconfio que os proprietários do negócio tinham meia dúzia de peças que conjugavam de formas diferentes, juntavam um adereço e pronto, estava feito, passe para cá 5 contos e devolva segunda feira lavado se faz favor.
Apercebo-me disso quando revejo as minhas fotos de infância e constato que em todas elas pareço uma algarvia (não nego as raízes) mas com uma maquilhagem de pêga. E eu achava lindo.
Depois cresci e apercebi-me que sombra verde alface e batom vermelho puta devem apenas ser usadas em caso de estarmos com a nossa cara metade no carnaval de Torres Vedras, e onde a maquilhagem e a saia travada não estão a ser usadas por mim.
Com grande desgosto ia para a escola levando uma foice debaixo do braço um ramo de papoilas de plástico e espigas de trigo, enquanto as minhas colegas se pavoneavam em vestidos de damas antigas e fadinhas.
Todos os anos havia um concurso, que era sempre ganho por alguém com fatos mais chiques do que o meu.
Um ano, fiz a cabeça da minha mãe em água, pedindo-lhe um fato desses para o carnaval. Depois de ter apanhado sustos valentes comigo quando acordava de manhã e dava de caras comigo na cabeceira da cama, assentiu.
Porque sempre ganhei pelo cansaço, e quando se quer mesmo uma coisa há que começar logo de madrugada- que eu cá não gosto de perder tempo.
Nesse ano ganhei o concurso, vestida de dama antiga. O fato era muito bonito - pelo menos na altura pareceu-me,mas há pouco tempo revi as fotos...
Era também das coisas mais desconfortáveis que alguma vez usei. Levei o dia todo sem me poder sentar em condições, porque aquela treta tinha um ferro na parte de baixo.
Nesse dia desejei ardentemente ter de volta os fatos de gente da plebe.
Foi nesse dia que o conceito "o conforto não deve nunca ser sobreposto por nada" entrou na minha vida.
Maltrapilha? Até pode ser. Antes isso do que andar o dia todo como se estivesse enfiada numa camisa de amor próprio ou com os pés a chiar.
Isso está contra a nossa natureza. Por que raio fazemos isso a nós próprios? Apagar pontas de cigarros nas virilhas para fins recreativos, ainda vá, agora metermo-nos dentro de umas calças de ganga à custa de acrobacia? Gosto de respirar - é lúdico!
Mas o que é que estava mesmo a dizer?
Ah, já sei, estava a falar da minha ida ao jardim!
Assim que chegamos, deram-nos um mapa, que consultamos de imediato.
Haviam lemures e tigres e suricatas.
Alegrei-me e decidi deixar o melhor para o fim - mais ou menos como faço com a comida.
Depois de percorrermos todo o espaço fomos ver os predilectos.
Como as leis de Murphy são o sumo da minha existência, tive pouca sorte. Melhor, eu deveria ser uma lei de Murphy, a sério! Todos os acidentes físicos, mesmo os mais improváveis conseguem concentrar-se no meu espaço existencial. Não há bola que tenha estado no meu perímetro que não me tenha atingido na cara com aparato...
Adiante. Tive pouca sorte.
Os tigres estavam todos a dormir, por isso vi apenas a cauda de um que adormecera abraçado a uma árvore.
Quando cheguei à cerca dos lemures vi um.
Achei-o pequeno.
Depois outro.
Depois um grupo.
Depois olhei com atenção e eram ratazanas. Grandes!
Depois fugi e procurei consolo junto dos suricatas. Que não estavam lá! Porque havia obras.
Como podem ver, o plano de raptar algum destes espécimens saiu completamente gorado.
E eu que até tinha levado a minha mala grande!
Já de saída, já dando como mal empregue toda a tarde dispendida, tive a visão que fez tudo valer a pena.
Tenho mais um animal para juntar à lista. Lebre da Patagónia!
Anotem este nome. Esta mistura de coelho com cabrinha ainda vai ser minha.
Isto se não for atingida por algum relâmpago pelo caminho...
Já não ai lá desde pequena.
Lembro-me vagamente de ser carnaval e estar mascarada de saloia, ou lavadeira, ou padeira, ou uma eira qualquer. Porque a minha mãe tinha a mania de todos os anos me alugar uma farpela diferente, mas que era estranhamente semelhante à do ano passado.
Desconfio que os proprietários do negócio tinham meia dúzia de peças que conjugavam de formas diferentes, juntavam um adereço e pronto, estava feito, passe para cá 5 contos e devolva segunda feira lavado se faz favor.
Apercebo-me disso quando revejo as minhas fotos de infância e constato que em todas elas pareço uma algarvia (não nego as raízes) mas com uma maquilhagem de pêga. E eu achava lindo.
Depois cresci e apercebi-me que sombra verde alface e batom vermelho puta devem apenas ser usadas em caso de estarmos com a nossa cara metade no carnaval de Torres Vedras, e onde a maquilhagem e a saia travada não estão a ser usadas por mim.
Com grande desgosto ia para a escola levando uma foice debaixo do braço um ramo de papoilas de plástico e espigas de trigo, enquanto as minhas colegas se pavoneavam em vestidos de damas antigas e fadinhas.
Todos os anos havia um concurso, que era sempre ganho por alguém com fatos mais chiques do que o meu.
Um ano, fiz a cabeça da minha mãe em água, pedindo-lhe um fato desses para o carnaval. Depois de ter apanhado sustos valentes comigo quando acordava de manhã e dava de caras comigo na cabeceira da cama, assentiu.
Porque sempre ganhei pelo cansaço, e quando se quer mesmo uma coisa há que começar logo de madrugada- que eu cá não gosto de perder tempo.
Nesse ano ganhei o concurso, vestida de dama antiga. O fato era muito bonito - pelo menos na altura pareceu-me,mas há pouco tempo revi as fotos...
Era também das coisas mais desconfortáveis que alguma vez usei. Levei o dia todo sem me poder sentar em condições, porque aquela treta tinha um ferro na parte de baixo.
Nesse dia desejei ardentemente ter de volta os fatos de gente da plebe.
Foi nesse dia que o conceito "o conforto não deve nunca ser sobreposto por nada" entrou na minha vida.
Maltrapilha? Até pode ser. Antes isso do que andar o dia todo como se estivesse enfiada numa camisa de amor próprio ou com os pés a chiar.
Isso está contra a nossa natureza. Por que raio fazemos isso a nós próprios? Apagar pontas de cigarros nas virilhas para fins recreativos, ainda vá, agora metermo-nos dentro de umas calças de ganga à custa de acrobacia? Gosto de respirar - é lúdico!
Mas o que é que estava mesmo a dizer?
Ah, já sei, estava a falar da minha ida ao jardim!
Assim que chegamos, deram-nos um mapa, que consultamos de imediato.
Haviam lemures e tigres e suricatas.
Alegrei-me e decidi deixar o melhor para o fim - mais ou menos como faço com a comida.
Depois de percorrermos todo o espaço fomos ver os predilectos.
Como as leis de Murphy são o sumo da minha existência, tive pouca sorte. Melhor, eu deveria ser uma lei de Murphy, a sério! Todos os acidentes físicos, mesmo os mais improváveis conseguem concentrar-se no meu espaço existencial. Não há bola que tenha estado no meu perímetro que não me tenha atingido na cara com aparato...
Adiante. Tive pouca sorte.
Os tigres estavam todos a dormir, por isso vi apenas a cauda de um que adormecera abraçado a uma árvore.
Quando cheguei à cerca dos lemures vi um.
Achei-o pequeno.
Depois outro.
Depois um grupo.
Depois olhei com atenção e eram ratazanas. Grandes!
Depois fugi e procurei consolo junto dos suricatas. Que não estavam lá! Porque havia obras.
Como podem ver, o plano de raptar algum destes espécimens saiu completamente gorado.
E eu que até tinha levado a minha mala grande!
Já de saída, já dando como mal empregue toda a tarde dispendida, tive a visão que fez tudo valer a pena.
Tenho mais um animal para juntar à lista. Lebre da Patagónia!
Anotem este nome. Esta mistura de coelho com cabrinha ainda vai ser minha.
Isto se não for atingida por algum relâmpago pelo caminho...
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Mestre Maco

Cada dia que passa mais me convenço que tenho a sensibilidade de um camionista ou de uma saca de serradura (daquelas com embalagem azul, porque as amarelas são um bocadinho on the edge).
No outro dia os meus colegas estavam a comentar o facto de se emocionarem até às lágrimas com o programa "Querido, mudei a casa".
E eu pedi para repetirem porque não estava a perceber.
Mas aquilo não é um programa de bricolage com uma apresentadora maquilhada como uma drag queen e onde os homens das obras podem dar largas às suas ambições de actores?
O que pode haver de emocionante na redecoração de uma casa?
É emocionante para a pessoa que não teve pachorra para mudar a casa e que em troca de uma reportagem chorosa no fim do programa, recebe uma divisão toda arranjadinha. Agora para quem vê?
É certo que o TPM tem efeitos realmente irracionais mas isto é um bocadinho de mais.
No máximo, com TPM emociono-me a olhar para a brancura reluzente de uma louça sanitária quando estou mesmo, mesmo muito aflitinha.
Cada pessoa reage de forma diferente aos desequilíbrios hormonais, tudo bem, mas algumas das pessoas que fizeram essa confissão são homens.
Ficaram sem resposta, não foi? Também eu!
terça-feira, 21 de abril de 2009
Arca de Noé
Desenganem-se se pensam que vou fazer mais alguma referência a incongruências da bíblia - fica para o ano, ou para alturas do Natal.
Quando estou aborrecida, tenho por hábito ver fotos no google para me animar. Dei por mim a ver fotos de animais e a sonhar acordada (que poderá ou não ter a ver com a vaca da minha vizinha de baixo ter estado até às 4:30 da manhã a dar uma festa lá em casa).
Sempre adorei bicharada e levava para casa tudo o que apanhasse, o que normalmente se manifestava em bolsos cheios de minhocas, caracóis, rãs, lagartixas, bichos de conta...
Já agora, o que foi feito dos bichos de conta?
Sempre foram os meus favoritos. Como os rapazes não me deixavam brincar com os guelas deles, brincava com a minha colecção. Bons tempos!
Como é típico das crianças, pedia aos meus pais para me arranjarem mais animais de estimação mas eles sempre se esquivaram oferecendo-me gatos, peixinhos e cágados.
Sempre soube bem o que queria e não me deixava enganar com desculpas do género: "Não podes ter esse animal num apartamento" ou "É um animal imaginário".
Quando juntar um dinheirinho, vou aplica-lo a concretizar um dos meus sonhos. Sonho esse que passa pela aquisição de pelo menos um de cada um destes exemplares.











Quando estou aborrecida, tenho por hábito ver fotos no google para me animar. Dei por mim a ver fotos de animais e a sonhar acordada (que poderá ou não ter a ver com a vaca da minha vizinha de baixo ter estado até às 4:30 da manhã a dar uma festa lá em casa).
Sempre adorei bicharada e levava para casa tudo o que apanhasse, o que normalmente se manifestava em bolsos cheios de minhocas, caracóis, rãs, lagartixas, bichos de conta...
Já agora, o que foi feito dos bichos de conta?
Sempre foram os meus favoritos. Como os rapazes não me deixavam brincar com os guelas deles, brincava com a minha colecção. Bons tempos!
Como é típico das crianças, pedia aos meus pais para me arranjarem mais animais de estimação mas eles sempre se esquivaram oferecendo-me gatos, peixinhos e cágados.
Sempre soube bem o que queria e não me deixava enganar com desculpas do género: "Não podes ter esse animal num apartamento" ou "É um animal imaginário".
Quando juntar um dinheirinho, vou aplica-lo a concretizar um dos meus sonhos. Sonho esse que passa pela aquisição de pelo menos um de cada um destes exemplares.











quinta-feira, 16 de abril de 2009
Ele está no meio de nós

Sei que já passou a Páscoa mas mesmo assim considero esta pequena dissertação dentro do prazo de validade.
Porque nunca é tarde para pôr em causa a religião católica. E também porque queria dar um tempinho para me sentir segura mandando por terra as bases em que assentam as crenças das minhas vizinhas testemunhas de Jeovah, sem temer que a minha casa seja cercada por uma multidão enfurecida com archotes.
Quem tem a infelicidade de passar esta quadra num local refundido no interior profundo - a terra de meus avós - sabe que a tv cabo ainda não chegou lá.
Não chegou lá grande coisa. Sempre que tenho de usar o telemóvel, tenho de me deslocar para o cimo de um cerro e encostar-me ao lado direito do poste telefónico que lá existe.
Se nesse dia estiver vento de Oeste, consigo fazer chamadas.
São demasiadas variáveis, dirão. Mas ao fim de algum tempo, conseguimos identificar os sinais logo pela manhã se vamos conseguir falar.
Quase como os anciãos que escrevem o Borda de Água, que são prisioneiros dos editores desde pequenos, mais ou menos por alturas do seu sétimo aniversário - que é, como toda a gente sabe, a idade do despertar do dom da previsão do tempo.
Mas voltando à televisão.
Por essas alturas somos sempre brindados com novas versões da vida de Cristo e o camandro.
Resumidamente o Tipo nasce, a mãe convence o pai que é concepção divina, vêm os reis que lhe dão prendas, gap de 24 anos, é baptizado, cura aleijados e ceguinhos, multiplica comida para pessoal que apareceu lá em casa para jantar sem avisar, janta com uns amigos, um deles não gostou muito que ele lhe tivesse ganho o burro no Pocker, chiba-se, penduram-no na cruz, morre, volta, fim.
Fim? Então e depois?
Ele volta, só para dizer que pode e depois?
Nem as minhas vizinhas me conseguem responder porque não aparece em filme nenhum.
Voltou a pastar rebanhos? Dedicou-se à carpintaria? Voltou para casa com o ET? Deixou de tomar banho e foi para o Algarve vender melões à beira da nacional? Inspirou os Imortais?
Esta última, é a que me parece a mais forte hipótese.
There can be only one.Esta é a base da igreja católica!
E ele luta bravamente contra os Deuses das outras religiões até só haver um. O que acham que foram as cruzadas? Lutas contra os infieis. O nome diz tudo.
Perai! Alcaheda! Blasfémia?
Que seja. Agora não há fogueirinhas, por isso posso dizer o que quiser. Por via das dúvidas, nunca revelarei dados pessoais meus...
Sei lá, para variar, podiam fazer um filmezito um bocado mais longo e acabavam com essas pontas soltas de uma vez.
Eu nem cobro direitos de autor pela ideia. Pode ser? Vejam lá isso e depois digam qualquer coisa. Ora essa, de nada.
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